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PRÁTICAS CORRUPTAS E SUA ACEITAÇÃO


O Instituto Não Aceito Corrupção (INAC), organização nacional sem fins

econômicos de âmbito nacional fundada em 2015, que atua no âmbito da

pesquisa científica, política pública anticorrupção, mobilização da sociedade e

educação traz a público a segunda edição da pesquisa referente à mensuração

de práticas corruptas e sua mensuração, fruto do trabalho do núcleo de

pesquisas científicas do INAC, coordenado pela professora Rita Biason,

integrado também por Maria Tereza Sadek, Agatha Paraventi, Kleber Carrilho,

André Aquino e Roberto Livianu.


O objetivo estratégico desta pesquisa, a ser aplicada sempre em anos de

eleições, é aumentar a conscientização em relação ao problema da corrupção

nos eleitores ao definirem seus votos, escolhendo representantes efetivamente

compromissados com a transparência, integridade e com a jornada

anticorrupção. Influenciá-los no sentido de terem responsabilidade social em

suas escolhas, tendo e vista as graves implicações decorrentes da corrupção.

O desenvolvimento dos questionários parametrizadores da pesquisa

ocorreu ao longo do ano de 2023 até os primeiros meses de 2024, sendo sua

aplicação fruto de parceria pro bono com a Ágora Pesquisas a quem o INAC

externa sua pública gratidão.


A pesquisa foi realizada nos meses de abril e maio de 2024, por meio de

entrevistas pessoais, sendo entrevistadas 2026 pessoas em todas as capitais

do país, sendo 41% do Sudeste, 30% do Nordeste, 11% do Norte, 10% do Sul

e 8% do Centro-Oeste.


Indagados sobre os problemas prioritários em suas vidas, os

entrevistados apontam na média a corrupção em oitavo lugar dentre doze

opções com apenas 6% de prioridade na média. Os primeiros lugares são

ocupados por saúde (20%), educação (17%) e segurança (15%). No recorte

por região o índice cai no Centro-Oeste para 4% e sobre para 9% no Sul indo

para a quarta posição.


Recortando por nível de instrução, na faixa superior completo o índice

sobe para 8% e cai para 4% no nível fundamental incompleto, levando-nos à

conclusão que à medida que cresce o grau de discernimento, pela aquisição de

conhecimento, adquire-se mais consciência sobre o problema.

Pela faixa etária, no patamar dos 16/24 o índice é de 4% e ocupa a nona

colocação, saltando para a sexta na faixa 60 ou mais indo para 8%,

evidenciando-se que a maturidade e o conhecimento adquiridos ao longo da

vida podem levar à priorização desta preocupação.

E por fim, por faixa de renda, o índice é de 6% na faixa de quem ganha

até 3 salários mínimos (8.o lugar) e pula para 9% indo para 4.o na faixa

superior a 10 salários mínimos.


A pesquisa procurou medir a aceitação da corrupção, listando várias

práticas corruptas e outras ilegalidades conexas, num total de 20, devendo-se

destacar no extremo da aceitação pelos entrevistados duas condutas: a mais

aceitável delas a do indivíduo que oferece dinheiro para não ser multado por

violação do trânsito em situação de dificuldade (5,2 pontos sendo o máximo de

7) e a segunda com 3,2 pontos a oferta de alimentos a policiais em padarias

como cortesia com a óbvia velada espera pela retribuição de proteção.


No extremo oposto das condutas inaceitáveis, que geram repúdio,

destaque para três delas: funcionário fantasma – ser admitido formalmente

como agente público, mas não trabalhar de fato (1,2 pontos), a chamada

rachadinha – ser admitido como agente público. Eventualmente trabalhar ou

não, com a condição de dividir os vencimentos com o agente público que o

contratou (1,4). Ambas são hipóteses de crime de peculato. E a corrupção

eleitoral praticada por candidatos e seus cabos eleitorais que compram votos

(1,7).


A seguir perguntamos, num universo de 21 irregularidades, se os

entrevistados já as tinham vivenciado. 52% afirmaram que sim de alguma

forma e a irregularidade que mais apareceu com 34% foi a prática do crime de

peculato, representada pelas hipóteses do funcionário fantasma e rachadinha.

Merecem destaque ainda em quarto lugar com 7% o nepotismo (contratação

irregular de parentes para atuar na administração pública) e em sexto com 5%

a corrupção eleitoral (venda de votos), tão relevante em ano de eleições

municipais.


Indagamos se seria do conhecimento dos entrevistados se nos últimos 10

anos algum candidato ou cabo eleitoral teria oferecido algo pelo voto de

alguém e qual seria o valor. 54% responderam afirmativamente. Na região

Norte o percentual sobre para 72% e no Nordeste para 65%. No Sul, cai para

41%, patamar ainda considerável.


Ao perguntarmos sobre a troca do voto por dinheiro o índice pula de 54%

para 62%. O valor médio mais alto pelo qual se vende o voto é no Sul por

pouco mais de R$ 142,00 e o mais baixo no Nordeste (R$ 124,00).

Por fim, mas não menos importante, ao questionarmos sobre canais de

denúncia, apenas 20% dos entrevistados responderam que conhecem e que

funcionam. Do universo restante, ou não se conhece, ou se conhece ou são

conhecidos, mas se acredita não funcionarem ou se sabe que existem

genericamente sem saber quais são. Ou seja, muito trabalho a fazer e muitas

propostas a apresentar por futuros prefeitos e vereadores no âmbito do

controle interno nas eleições de outubro.


RITA BIASON

ROBERTO LIVIANU

Instituto Não Aceito Corrupção



Veja a íntegra da pesquisa neste arquivo abaixo


Relatório final - Práticas Corruptas e sua Aceitação - Ágora Pesquisa 18_06_2024
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