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  • Foto do escritorInstituto Não Aceito Corrupção

Doutora Raposa

Advogada “coronela” com poder de “eliminar adversários políticos” age por princípios éticos questionáveis.


Leia a crônica de Roberto Livianu...


Advogada com longa estrada e muitas causas vencidas e montes de dinheiro nos bolsos cheios. Para ela, o que importava era a conquista do sucesso profissional, a qualquer preço. E “Raposa” não era nome de família, mas apelido que se incorporou à sua pessoa por ser ladina como uma raposa.


Em certa região do país, assim como em Brasília, alguns a conheciam, mas não se poderia dizer que se tratava de celebridade, de profissional com renome nacional. Isto faltava no currículo da “doutora coronela”, como lhe chamavam alguns. A estrada para conquistar a fama era diferente daquela outra das causas ganhas como causídica e da conquista da riqueza.


Aparece então uma oportunidade para a “coronela” virar presidenta de entidade nacional. “Doutora Raposa” não hesita ao perceber que ali se poderia pavimentar seu caminho para a fama, especialmente se manejasse com estratégia as redes sociais. Poderia ter visibilidade e se tornar muito conhecida.


Foi eliminando os adversários políticos que havia pelo caminho, usando a força do dinheiro para cooptar e comprar aliados. Construiu uma chapa não alicerçada em valores ou referências ideológicas, mas só em conveniências oportunistas e utilitarismos de ocasião, com tapinhas nas costas e toda forma de bajulação.


Assim, parecia se edificar a trilha da vitória. Faltava um só candidato, que se mantinha na disputa. Raposa decidiu convidá-lo para um almoço num caríssimo restaurante de Brasília. A forma como foi feito o convite a Everaldo, o oposicionista, criou nele a percepção de que ali haveria diálogo e negociação, para possível composição entre os grupos políticos.


A “coronela Doutora Raposa” chegou com mais 5 capangas, que falavam amém a tudo que a chefe dizia. A narrativa construída era de que ela traria prosperidade, expansão internacional e novos associados –todos repetiam a cantilena de forma sincronizada. Ao longo do encontro, foi ficando evidente que não haveria diálogo e que o grupo da “coronela” estava guloso por poder e apenas dava ciência de suas metas sem oferecer espaço algum. E que, na verdade, pretendia-se, sem declarar expressamente, apenas humilhar Everaldo, mostrando que ele não poderia fazer frente à “coronela”.


Raposa, sem fazer cerimônia, pedia vinhos caros e, ao final, enquanto os demais estavam no cafezinho, “fechou com chave de ouro” com uma taça de vinho importado caríssimo de sobremesa. Quem convida e bebe tanto, e tão à vontade, sendo tão rico, obviamente assim age porque pagará a conta, conjecturou Everaldo.


Mas, amargo foi o desfecho do almoço ao chegar a astronômica conta, submetida a surpreendente divisão igualitária, apesar dos consumos terem sido extremamente diferentes. Everaldo pagou por valor muito maior do que havia concretamente consumido e avolumou a lista daqueles que ao longo da vida descobriram, sentindo na pele, o porquê do apelido da anfitriã, que, com tais princípios éticos sob a lógica “o mundo é dos espertos” lideraria a entidade e representaria pessoas.



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