top of page

Importância do ‘G’ nos critérios ESG para o combate à corrupção

Foto do escritor: Instituto Não Aceito Corrupção
Instituto Não Aceito Corrupção
9 de out. de 2021
4 min de leitura

Uma recente pesquisa da Rede Brasil do Pacto Global[i] e da Stilingue sobre o “A evolução ESG no Brasil” mostrou que em 2020 as discussões sobre o tema aumentaram mais de 7 vezes nas redes sociais. Infelizmente, os debates sobre o acrônimo ESG [Environmetal, Social and Governance], ou em português ASG, ainda são usualmente limitadas a temas sobre Sustentabilidade. Porém, os três critérios são avaliados de uma maneira conjunta pelo mercado, instituições financeiras e consumidores, pois falhas nas áreas ambientais, sociais ou de governança causam grandes prejuízos financeiros às empresas, além de danos reputacionais e impactos diretos à sociedade.


Infelizmente não são poucos os casos no Brasil de empresas que tiveram problemas com os critérios ESG, muitos relatados pelo Instituto Não Aceito Corrupção [INAC]. Estima-se que a corrupção, subornos, roubos, evasão fiscal e fluxos financeiros ilícitos custam aproximadamente US$ 1,26 trilhão por ano para os países em desenvolvimento, segundo o Fórum Econômico Mundial. Além dos efeitos econômicos, a corrupção afeta noções de justiça e legitimidade institucional, minando condições sociais que sustentam ambientes de negócios prósperos, conforme aponta o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.


Outro resultado interessante dessa mesma pesquisa da Rede Brasil do Pacto Global mostra que, dentre as medidas adotadas pelas empresas pesquisadas, a ação mais disseminada em 79% das empresas está relacionada à governança: “Criação de mecanismos internos de compliance e governança que inibam práticas desleais no ambiente corporativo”. A corrupção afeta todos os aspectos nas operações de uma empresa, desde a segurança das suas transações, até a gestão eficaz de riscos em direitos humanos, trabalho e meio ambiente. O combate à corrupção é importante neste sentido, porque, dentre outros aspectos, envolve riscos legais e reputacionais, incentiva e recompensa comportamentos antiéticos que tornam desigual o ambiente de negócios e prejudica o desenvolvimento econômico e social necessário para as empresas prosperarem. A corrupção mina o Estado de Direito e a eficiência das instituições, destrói a confiança de empresas e governos por parte da sociedade civil, fortalece a pobreza e a desigualdade, gasta recursos naturais e receitas públicas, prejudica o desenvolvimento econômico e social, os consumidores e a concorrência.

O efetivo combate à corrupção exige uma governança robusta, não apenas dos órgãos reguladores, mas principalmente das entidades privadas. Especificamente no Brasil, um dos grandes desafios para o efetivo combate à corrupção e suas remediações está na governança das empresas, pois o país ainda tem muitas companhias familiares onde por vezes as regras não se aplicam a alguns poucos cujo nome ainda se confunde com o seu próprio logotipo. Dentre os princípios disseminados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa [IBGC] sobre governança, a equidade é um dos mais desafiadores para as remediações e recuperações das empresas. O tratamento justo de todos é fundamental para a sustentabilidade das instituições, que não deve ter seus recursos sugados para a defesa de poucos em detrimento da manutenção dos empregos de muitos.


Os critérios ESG não estão apenas atrelados a riscos e falhas em temas ambientais, sociais e de governança. Os critérios também estão relacionados a muitas oportunidades de negócios, pois empresas com produtos com apelo ambiental, ou entidades que sejam reconhecidas por sua responsabilidade social tem se destacado no mercado. O atendimento da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis [ODS] dependem de um efetivo combate à corrupção. A governança corporativa pode apoiar o alcance da meta 16.5 do ODS 16 (paz, justiça e instituições eficazes), que visa reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas. Vemos que o setor empresarial tem capacidade e influência para trabalhar contra todas as formas de corrupção de diversas maneiras. Como exemplos de práticas internas, podemos citar a adoção de abordagens de tolerância zero para condutas antiéticas desde a liderança até as operações, a capacitação e o treinamento para apoiar a conscientização sobre a identificação e mitigação da corrupção e suborno, o desenvolvimento de programas de Compliance robustos, a implementação de mecanismos de reporte de condutas adversas e uma gestão de riscos adequada. De forma global e externa, também é possível promover a educação de stakeholders e encorajar o reporte de práticas ilegais às autoridades, engajar-se em organizações com atuação relevante no tema, como o Pacto Global da ONU, além da participação em coalizões, pactos de integridade e ações coletivas anticorrupção.


O Brasil é um dos países com maior número de ações coletivas voltadas ao combate à corrupção, também é a nação com o maior número de sistemas de reconhecimentos governamentais para o fomento de programas de integridade, além de ter muitas empresas estatais com programas robustos de integridade. Responsabilidade, integridade e transparência são fundamentais para uma conduta empresarial responsável e para o ambiente propício no qual as empresas operam. Uma abordagem ampla da governança corporativa aprofunda os valores e estratégias das empresas, políticas e operações, relações comerciais e de cadeia, abraçando um propósito corporativo que reforça o capitalismo das partes interessadas e fortalece instituições, leis e sistemas. Paz, justiça e instituições fortes são elementos essenciais de governança que unem as empresas às comunidades nas quais operam e servem.


*Reynaldo Goto é diretor de Compliance da BRF, membro do Comitê de Governança da Rede Brasil do Pacto Global, integrante da Comissão de Sustentabilidade e Compliance da ICC, conselheiro da FGVEthics e do Pacto pelo Esporte.


O texto teve a colaboração de Adriana Julião, gerente executiva de Governança e Integridade da Rede Brasil do Pacto Global

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
NOTA PUBLICA

O Supremo Tribunal Federal vive crise de credibilidade sem precedentes em nossa história republicana e, ao perder a confiança pública, pode trazer como consequência grave erosão democrática e obstruçã

 
 
 
Nota pública

Em relação aos gravíssimos fatos apontados em relatório produzido pela Polícia Federal em processo relatado pelo Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal referente ao Banco Master, diante

 
 
 

Comentários


bottom of page