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Um certo Joaquim José

Foto do escritor: Instituto Não Aceito Corrupção
Instituto Não Aceito Corrupção
25 de mar. de 2025
3 min de leitura

Fundo Eleitoral e Partidário abriram uma guerra por dinheiro na política que inibe o surgimento de líderes íntegros e que atuam em prol do povo

 

Roberto Livianu25.mar.2025 (terça-feira) - 5h58

 

Pela 1ª vez, Joaquim José resolveu lançar-se candidato a vereador. Já era bastante conhecido em sua cidade, de 15.000 habitantes no interior de Minas Gerais, por seus contatos permanentes com sua gente, seu espírito solidário e sua disposição para trabalhar em prol do bem comum.

 

O fato ocorreu numa certa eleição municipal, antes de Bolsonaro e antes da prisão de Lula. O Brasil já vivia a era do Fundo Eleitoral e Partidário, a partir de quando se perderam as referências ideológicas na política. Há uma guerra declarada por dinheiro e já se pode sentir a ausência de grandes líderes como Ulysses Guimarães, Plínio de Arruda Sampaio, Franco Montoro, Tancredo Neves e Leonel Brizola.

 

JJ fez campanha modesta, sem recurso de fundo algum, convocou os amigos da velha guarda e numa verdadeira corrente do bem, seu nome contaminou a cidade, espalhando-se como rastilho de pólvora, sem propostas indecentes, sem toma lá dá cá. Seu discurso era cativante e carismático e empolgava quem o assistia falar.

 

Meses e solas de sapatos em jornadas poeirentas, reuniões e mais reuniões, e ele começa a perceber que as reações são cada vez mais positivas à sua candidatura, mas evita empolgação excessiva antes da apuração para não se frustrar.

 

Começada a apuração, os resultados são animadores, e muito mais do que isso: JJ é eleito o vereador mais votado de sua cidade, com número de votos expressivo e histórico, que o habilitaria a voos mais altos –poderia postular a candidatura à presidência da Câmara Municipal.

 

Mas a verdade é que há muito mais entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia. Os dias foram se passando, a ficha foi caindo e a felicidade da conquista foi sendo aos poucos assimilada, especialmente pela forma como tudo ocorreu. Tinha sido uma vitória daquelas, para ficar marcada nas páginas de nossa história política por todo o sempre.

 

Eis que nosso herói recebe uma inesperada e inopinada visita dos dirigentes estaduais do partido. Inicialmente, eram derramados elogios pelo feito político épico de JJ, por seu prestígio, sua força, seu respeito perante a comunidade e seus voos futuros. 

 

Mas, como se diz, “primeiro se passa o algodão e depois se aplica a injeção”. Em certo momento, tudo mudou, a conversa adquiriu outra atmosfera, os coronéis determinaram que os celulares fossem desligados e entregues, instalou-se um silêncio constrangedor, rompido pelo aviso de um deles: em virtude da eleição, você receberá o repasse de uma verba significativa do Fundo Eleitoral. Não viemos negociar, viemos te comunicar que a maior parte dessa verba deverá ser repassada ao partido.

 

JJ, tomado pela perplexidade, de bate-pronto respondeu: eu poderia discordar, no sentido de canalizar esses recursos integralmente para meu mandato, em prol da comunidade? A resposta foi um imediato “não” sem titubeio, com ameaças de morte sem disfarce a ele e a sua família.

 

JJ, naquela semana mesmo, renunciou ao mandato e caiu no mundo junto com sua família e nunca mais se soube de seu paradeiro. Para os eleitores, alegou motivos de força maior. Esta é uma pequena história, baseada em fatos, de 1 dos mais de 5.500 municípios brasileiros.

 

 
 
 

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