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Lula erra ao equiparar a legítima defesa de Israel ao Holocausto

Roberto Livianu 20 fevereiro 2024 | 3min de leitura

 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas, que pretende, conforme seu estatuto, destruir o Estado israelense e exterminar os judeus, atacou Israel, diante da iminência do acordo de paz com a Arábia Saudita. Os terroristas quiseram sabotar o tratado, pois poderia contribuir futuramente para a paz entre judeus e palestinos.

 

Israel sempre aspirou à paz enquanto o Hamas a sabota. Ainda hoje, depois de todos esses meses, o grupo mantém mais de 130 reféns judeus sequestrados, torturados e estuprados, exibidos como troféus nas redes sociais, pouco se importando os extremistas com as próprias vidas palestinas. Esse cenário terrível obviamente não deve desobrigar Israel de procurar minimizar os danos colaterais do conflito causados aos civis palestinos ao procurar atingir alvos do Hamas.

 

Há algumas semanas, o governo do Brasil alinhou-se a outras nações, apoiando oficialmente a petição sul-africana contra Israel na Corte Internacional de Justiça, contendo acusação contra Israel por genocídio cometido na Faixa de Gaza e por impedir a investigação e a punição daquele crime. A atitude do governo produziu reações por parte de diversos segmentos representativos da comunidade judaica no Brasil, especialmente a Confederação Israelita do Brasil.

 

No domingo (18.fev.2024), em sua passagem pela Etiópia, depois de ter estado no Egito, o presidente Lula equiparou de forma inadmissível a legítima reação de Israel ao ataque do Hamas em 7 de outubro ao Holocausto promovido por Hitler, maior mancha da história, que exterminou 6 milhões de judeus da face da Terra: 2/3 daqueles que viviam na Europa, 90% dos judeus poloneses, por exemplo.

 

E essa não é a 1ª declaração de líderes petistas nessa direção. Depois do horripilante e humilhante boicote aos negócios dos judeus, determinado por Hitler em abril de 1933, que envergonhou a civilização, considerado o marco inicial da perseguição nazista, muitos fatos escabrosos de triste memória se sucederam.

 

Quem poderia imaginar que mesmo depois de terem os alemães pedido perdão aos judeus pelo boicote e por todos os horrores do Holocausto, que o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoino, que já foi condenado por corrupção (ainda que tenha prescrito) na ação penal do Mensalão (ação penal 470), pregaria em pleno ano de 2024, novamente o boicote genérico e indiscriminado a empresas de judeus?

 

O que os judeus do Brasil têm a ver com as atitudes dos governantes de Israel? Por que punir empresários que produzem riqueza e empregam centenas de milhares de pessoas, pelo simples fato de alguns judeus terem exercido o direito de criticar o apoio do Brasil à acusação de genocídio a Israel?

 

Desde a eclosão do conflito, o antissemitismo e a islamofobia vêm aumentando exponencialmente em todo o mundo (no Brasil, as denúncias cresceram 1.000%) e essas atitudes vão na contramão do bom senso, da tolerância e da cultura da paz, contribuindo tristemente para a difusão do ódio, da triste memória para a humanidade.

 

O Holocausto deixou marcas profundas e indeléveis na história, fruto de atos insanos, oriundos da doutrina nazista, cuja concepção de mundo se embasava no conceito da raça ariana e enxergava os judeus como ratos e seu extermínio tratado como a “solução final”. O 3º reich seria o reich de 1.000 anos.

 

É incabível e inconcebível qualquer espécie de comparação de qualquer situação ao longo do tempo com o Holocausto, tão ignominiosa e devastadora foi sua essência. A paridade feita pelo presidente da República representa gravíssima afronta à dignidade humana, ato de desrespeito, menoscabo e negacionismo em relação ao sofrimento de milhões de vítimas do Holocausto no Brasil e no mundo.

 

Minha mais absoluta solidariedade às famílias das vítimas atingidas por tão brutal infâmia e meu mais veemente repúdio a tais palavras ditas pelo senhor presidente, que nos envergonham de forma superlativa perante o mundo e que podem contribuir ainda mais para o aumento do antissemitismo e para a indevida importação da trágica violência vivida em Israel para o Brasil.

 

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