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O povo diz: o peixe morre pela boca

Roberto Livianu 14 maio 2024 | 3min De Leitura

 

As eleições seriam realizadas dali pouco mais de ano, mas sabe como é: Zé Carola e Chico Bronha eram precavidos e queriam se garantir. Por isso se movimentaram antes, para assegurar o futuro.

 

Zé era figura conhecida no mundo universitário junto aos alunos pelo grau superlativo de arrogância que o precedia; tão grande quanto a intensidade de seu fervor religioso. Chico, por outro lado, era apontado como um professor de comportamento nada ético em relação às alunas, conhecido por as importunar sexualmente. Mas o medo da perseguição garantia sua impunidade.

 

Zé Carola era bem branquelo, usava óculos fundo de garrafa e tinha grande poder de oratória. Mas fora do palco, humilhava as pessoas, era um verdadeiro déspota, especialmente no trato com os mais humildes.

 

Chico Bronha se achava o clone de George Clooney do Pantanal. Cabelos prateados, sedutor, sempre metido em ternos escuros bem cortados, muito perfumado e disposto a usar e abusar do poder de protagonista pedagógico como predador.

 

Eram professores havia décadas em uma universidade pública estadual na região Centro-Oeste do país e cobiçavam a nomeação ao cargo de reitor, que caberia ao governador.

 

Representavam a fina flor da Tradição, Família e Propriedade, movimento ultradireitista extinto no Brasil havia décadas, que de certa forma renasceu, ao ver em passado recente no poder um certo líder negacionista de vacinas, com ideário de ultradireita, hoje inelegível por 8 anos, ainda pregando Deus, Família e Liberdade.

 

Voltando à dupla dinâmica, conseguiram uma maneira de chegar ao governador e assim puderam destilar sua peçonha, que escorria implacável quando se referiam ao atual reitor.

 

Desqualificavam-no de forma despudorada bem como o professor pró-reitor, que já se imaginava que seria apoiado por ele. A dupla chegou inclusive com um dossiê-bomba de casos supostamente comprometedores em que o reitor teria agido de forma indevida, punido injustamente, arquivado indevidamente e por aí vai.

 

O governador ouvia incrédulo o discurso de Zé Carola e Chico Bronha, que se apresentavam como únicos legítimos representantes dos valores cristãos conservadores para impedir o avanço nefasto do comunismo na universidade, que estava corrompendo almas e mentes das novas gerações.

 

Luizão Pantaneiro era político experiente, já tinha sido vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal e estava no 2º mandato como governador. Sabia lidar com pessoas e se sentia preparado para as mais diversas e indecentes abordagens.

 

Mas aquela situação o deixou perplexo e convicto que jamais escolheria aqueles indivíduos, desprovidos de valores éticos, desleais, totalmente despreparados para o exercício da elevada função que postulavam. E ao examinar aqueles casos apresentados, concluiu que as decisões do reitor foram todas absolutamente corretas.

 

Como poderia qualquer um daqueles 2 súcubos querer gerir uma instituição pública de tamanha relevância pensando e agindo daquela maneira, violando os princípios da impessoalidade e da moralidade? Ficou imaginando como reagiriam os colegas de universidade se soubessem daquele diálogo horroroso violador dos cânones republicanos.

 

Sem hesitação, minutos depois de os 2 se retirarem da presença do governador, este pediu a sua secretária que telefonasse ao reitor e o convidasse para vir a seu gabinete para uma conversa reservada.

 

Relatou de forma minuciosa o ocorrido, obtendo do convidado semelhante surpresa, que se aliviou diante do anúncio categórico por Luizão no sentido de que sua decisão política estava tomada: nenhum daqueles 2 seria nomeado caso figurasse na lista tríplice. O povo é mesmo sábio quando afirma que o peixe morre pela boca.

 

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